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Contagem regressiva: iPad da Apple.
31 mar2010
Os fãs da Apple têm esperado ansiosamente pela entrada da empresa no mercado dos tablets. Desde que a Apple revelou o iPad no final de Janeiro, os investidores também se adiantaram, levando as ações da empresa a uma subida de 10%.
Parte de toda essa ansiedade pode ser atribuída ao aumento constante nas vendas do iPhone e dos computadores Mac. Mas grande parte tem a ver com a febre do tablet. Este mês, no dia em que a Apple anunciou que o iPad estaria à venda no sábado, dia 3 de Abril, as ações subiram quase 4%. As expectativas são claramente altas, mas agora o iPad tem de cumpri-las.
Brad Stone, do New York Times, analisa a Gigante Apple e sua nova empreitada no mundo da tecnologia. Resta pouco tempo para ver se um dos grandes lançamentos do ano irá superar as expectativas ou se a Apple terá uma reviravolta no mercado.
De acordo com Stone, A Apple não deu qualquer indicação pública quanto a expectativa de vendas ou que número será considerado um êxito. Mas, na apresentação do iPad em Janeiro, Steve Jobs, o CEO, pôs, implicitamente, a fasquia alta. Jobs afirmou que o iPad iria oferecer uma experiência superior à dos netbooks, uma categoria em rápido crescimento de portáteis baratos e leves que somaram oito mil milhões de euros de vendas globais no ano passado. Disse também que as 75 milhões de pessoas que têm iPhones e iPod Touches sabiam já como utilizar o iPad, que usa o mesmo sistema operativo e um interface de ecrã táctil. Porém, analistas e investidores estão à procura de formas para avaliar o iPad a curto e a longo prazo. As suas projeções variam, mas muitos analistas da Apple antevêem que a empresa venda cerca de um milhão de iPads até ao final do segundo trimestre, em Junho, e aproximadamente cinco milhões no final de 2010.
Os analistas reconhecem existir uma grande dose de conjectura nestas projecções, em parte porque não está ainda claro que tipos de aplicações e conteúdos estarão disponíveis para iPad por parte de empresas de media e de criadores externos. “A realidade para o iPad será determinada pelas aplicações que forem feitas”, diz Gene Munster, analista da Piper Jaffray. “As pessoas estão a debater o caso de uso para o iPad, que será largamente determinado pelas aplicações. Há ainda muita gente indecisa quanto à hipótese de este ser um mercado legítimo ou não”.
Há outras variáveis a ter em conta. Por exemplo, parece que o iPad estará inicialmente disponível apenas em lojas da Apple e na Best Buy. Quanto tempo levará até que a Apple comece a vendê-lo em outros retalhistas e em mais países do que os dez escolhidos para este ano? E ao fim de quanto tempo é que a Apple baixará o preço do iPad ou lançará modelos com novas características, como a câmera incorporada?
Os analistas devem também analisar sobre um tópico pouco claro, conhecido como canibalização, ao considerarem como o iPad poderá afectar a Apple. Os consumidores que gastem 372 euros pelo modelo mais barato de iPad podem estar a comprá-lo em vez de um portátil MacBook de 745 euros ou, mais provavelmente, do que um iPod Touch de 148 euros. Muitos analistas olham para os precedentes históricos para avaliar as hipóteses de mercado do iPad. Em 2001, a Apple vendeu apenas 372 mil unidades do iPod, e cerca de um milhão no segundo ano, após a abertura da iTunes Store. Depois do aparecimento do iPhone em 2007, que inspirou um frenesim mediático semelhante, a Apple vendeu 1,4 milhões de aparelhos nos dois primeiros trimestres e 6,1 milhões na totalidade do primeiro ano. Mas o iPhone pode não ser o melhor exemplo: as pessoas já compravam celulares confortavelmente. Ao contrário, poucas pessoas têm um tablet. O iPad é novo para os consumidores, semelhante ao Kindle da Amazon.com ou à box de televisão interativa da Apple TV. Estes aparelhos venderam, cada um, menos de um milhão de unidades no primeiro ano.
A penetração no mercado de massas – e o impacto cultural – do iPod e do iPhone é, em última análise, o maior desafio que a Apple enfrenta com o iPad. “Será preciso cativar utilizadores mainstream que, normalmente, decidiriam comprar um leitor e-book ou um netbook”, diz Michael Abramsky, analista da RBC Capital Markets. “Se a Apple conseguir convencer este tipo de pessoas e ir além dos primeiros entusiastas que compram tudo o que lhes aparece à frente, terá então potencial para florescer.”
Todo este optimismo em volta do iPad suscita dúvidas a muitos analistas e investidores sobre o que será, para a Apple, uma decepção: se vender apenas meio milhão de iPads durante os próximos dois meses, ou menos de dois milhões pelo fim de Setembro, isso pode danificar a excelente reputação de que a empresa goza em Wall Street – e o ar de infalibilidade de Jobs para seleccionar e entrar em novos mercados.
“Há sempre um risco”, afirma Charles Wolff, analista da Needham & Co., que aponta fracassos passados da Apple, como o Mac Cube e a Apple TV, mas que, ainda assim, acredita que o iPad irá vender rapidamente. Se o iPad não conseguir, de fato, vender, “isso poderá ter impacto nas acções”, adverte Wolf. “Mas duvido que seja o fim do mundo”.
Assista ao vídeo (em inglês) de divulgação do iPad e tenha mais informações no site da Apple.
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